CINASE em BH



"Catar ventos" para gerar energia!

06/06/2009

Por Melissa Ornelas - Assessoria de Comunicação do Confea

As alterações climáticas e o alerta para a busca de soluções renováveis de energia são, hoje, preocupações de diversos países. No Brasil, a atenção para essa questão se deu, basicamente, após os choques do petróleo ocorridos na década de 70. Os ventos também estão no caminho do desenvolvimento limpo. Os primeiros aerogeradores foram instalados, em 1992, em Fernando de Noronha (pequeno porte) e, em 1994, em Minas Gerais (grande porte). Hoje, 0,4% da matriz energética do país é composta por energia eólica.
 
As turbinas eólicas podem estar ligadas à rede elétrica, suprir a demanda por eletricidade de pequenas comunidades isoladas, como as da Amazônia, ou ainda servir para trabalhos mecânicos como o bombeamento de água (cataventos ou moinhos).
 
O primeiro país a investir em energia eólica foi a Dinamarca, mas a sua capacidade se esgotou em virtude de espaço territorial. Hoje, o país gera 3.000 MW e começa a instalar turbinas em alto-mar (off-shore). 
 
Nessa direção estão, atualmente, em primeiro lugar, os Estados Unidos com uma capacidade de geração de instalação de 25.170 MW, em segundo lugar a Alemanha com 23.900 MW, e logo depois a Espanha com 16.754 MW. Em quarto e quinto lugares estão: a China, com 12.340 MW, e a Índia, com 9.587MW. Em 2008, os países que mais cresceram foram: Estados Unidos (8.360 MW), China (6.300 MW) e Índia (1.800 MW).
 
O Confea está atento às questões do meio ambiente, promovendo debates sobre a produção de energias limpas no Brasil. Em 2008, atuou fortemente para trazer ao país o Congresso Mundial de Engenheiros (WEC 2008), realizado em Brasília. Na exposição tecnológica (ExpoWEC), cujo tema foi “Energia para o Futuro”, os visitantes puderam conhecer um gerador de energia eólica dos mais modernos, com motor menos barulhento e menor desgaste devido à baixa rotação.
 
Brasil tem grande potencial eólico 
“O Brasil deve sinalizar para um programa de governo que contemple a energia eólica, como fizeram Estados Unidos e Espanha, para atrair novos investidores, gerar maior competitividade e, consequentemente, melhores preços. Estamos lutando para um programa 10-10, que significa 10 GW ao longo de 10 anos. O compromisso de governo da comunidade europeia, por exemplo, é um programa 20-20 – que significa ter 20% da matriz energética com eólica até 2020, ou seja, em 11 anos. É um compromisso bem mais ambicioso”, ressaltou o diretor-executivo da Associação Brasileira de Energia Eólica (ABEólica), Pedro Perrelli.
 
O estudo ‘Atlas Eólico Brasileiro’, produzido pelo CEPEL/Sistema Eletrobrás, apontou o potencial existente no país: 143 GW ou 143.000 MW. Mas a revisão desse estudo deve mostrar um número mais representativo, de cerca de 300 GW. O litoral do Nordeste, o centro da Bahia, o norte de Minas Gerais e o extremo sul do Brasil são regiões propícias para a geração de eletricidade por meio dos ventos. “A utilização do petróleo deve ser preservada para atividades mais nobres, pois temos alternativas como as três irmãs: hidrelétrica, eólica e biomassa da cana-de-açúcar. As três formas são complementares: em época de seca, há a colheita da cana-de-açúcar e a abundância de ventos. Em época de chuvas, venta pouco e não há colheita”.
 
O diretor-executivo da ABEeólica, Pedro Perrelli, explica ainda que a energia eólica é cara se comparada com a hidrelétrica. Se comparada com as usinas termelétricas a óleo, a eólica é 15 a 20% mais barata. Ele ressalta que a produção só irá decolar com incentivos, como aconteceu na Espanha. 
 
“Para cada um euro investido, a Espanha teve um retorno de 7,6 euros. Também foram gerados 37 mil empregos e houve uma redução da importação de petróleo da ordem de um bilhão de euros, sem contar a redução dos gases causadores do efeito estufa. A energia eólica dá independência em relação ao petróleo, pode contribuir junto à água para não termos apagão, além de proteger o meio ambiente”, afirmou Pedro.
 
Embora tímidos, os investimentos para esse tipo de energia no Brasil devem aumentar com a realização, no dia 25 de novembro, do Leilão de Energia de Reserva 2009 – Eólica promovido pela Empresa de Pesquisa Energética (EPE) - órgão vinculado ao Ministério de Minas e Energia. O edital será divulgado em breve pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel).
 
De 4 a 6 de junho, os entraves e as demandas para a geração de energia eólica foram discutidos no Fórum Nacional Eólico: A Carta dos Ventos, realizado no Pestana Natal Resort.

Fonte: e-Confea no. 69

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