{"id":242,"date":"2008-05-11T11:30:30","date_gmt":"2008-05-11T14:30:30","guid":{"rendered":"http:\/\/site.b2ml.com.br\/abee\/?p=242"},"modified":"2019-09-02T11:33:02","modified_gmt":"2019-09-02T14:33:02","slug":"memristor-misturando-memoria-com-resistor","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/abee-mg.com.br\/abee\/?p=242","title":{"rendered":"Memristor: misturando mem\u00f3ria com resistor"},"content":{"rendered":"\n<h2 class=\"wp-block-heading\">11\/05\/2008<\/h2>\n\n\n\n<p>Por<strong>&nbsp;ETHEVALDO SIQUEIRA<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>At\u00e9 a semana passada, s\u00f3 eram conhecidos tr\u00eas elementos fundamentais para produ\u00e7\u00e3o de circuitos integrados: os capacitores, os resistores e os indutores. Os cientistas, no entanto, previam a exist\u00eancia de um quarto elemento, uma esp\u00e9cie de resistor de mem\u00f3ria a que se deu o nome de memristor, forma reduzida de memory resistor. O primeiro cientista a prever a exist\u00eancia do memristor foi Leon Chua, da Universidade de Berkeley, da Calif\u00f3rnia, h\u00e1 37 anos.<br><br>Pois bem: a previs\u00e3o de Leon Chua acaba de ser comprovada cientificamente pela equipe liderada pelo pesquisador Stanley Williams, dos laborat\u00f3rios da Hewlett-Packard (HP). E tudo parece indicar que o mundo est\u00e1 diante de um novo salto tecnol\u00f3gico.<br><br>Para que serve o memristor? Com esse novo elemento dos circuitos, os cientistas esperam, de um lado, dar muito maior velocidade de partida \u00e0s m\u00e1quinas eletr\u00f4nicas e, de outro, libertar as mem\u00f3rias da necessidade de serem permanentemente alimentadas por energia para sua conserva\u00e7\u00e3o.<br>Com os recursos desse novo elemento, os computadores no futuro poder\u00e3o ser ligados e desligados como uma l\u00e2mpada el\u00e9trica, num clique, de partida instant\u00e2nea. N\u00e3o teremos, ent\u00e3o, que esperar aqueles dois ou tr\u00eas intermin\u00e1veis minutos em que aguardamos a conclus\u00e3o do processo de inicializa\u00e7\u00e3o dos computadores.<br><br>Mais ainda: com circuitos dotados de memristores, poder\u00e3o ser desenvolvidos sistemas de computa\u00e7\u00e3o muito mais eficientes quanto ao consumo de energia, pois essas novas mem\u00f3rias ser\u00e3o capazes de reter a informa\u00e7\u00e3o mesmo quando o equipamento estiver desligado. Na verdade, os cientistas ainda n\u00e3o sabem exatamente quantas outras aplica\u00e7\u00f5es poder\u00e3o ter os memristores.<br><br>COMO FUNCIONA<br><br>Para facilitar o entendimento, costuma-se recorrer a uma analogia, comparando o resistor a um cano d\u2019\u00e1gua. Quanto mais estreito, maior ser\u00e1 a resist\u00eancia que oferecer\u00e1 \u00e0 passagem da corrente el\u00e9trica. Quanto mais largo, menor ser\u00e1 a resist\u00eancia. No caso do memristor, a compara\u00e7\u00e3o seria apenas parcial, pois ele s\u00f3 oferece resist\u00eancia quando a corrente flui num sentido, mas n\u00e3o no outro.<br><br>O memristor tem, ainda, outra diferen\u00e7a: ele transporta \u201clembran\u00e7as\u201d de seu passado. Mesmo quando desligamos a corrente el\u00e9trica do circuito, o memristor continua \u201clembrando\u201d as caracter\u00edsticas da corrente, sua intensidade, e por quanto tempo circulou. Esse \u00e9 um efeito que n\u00e3o pode ser aplicado por nenhuma outra combina\u00e7\u00e3o de resistores, capacitores ou indutores. Por essas qualidades exclusivas, o memristor \u00e9 considerado um elemento fundamental dos circuitos.<br><br>Outros cientistas observam, contudo, que esse mecanismo de reten\u00e7\u00e3o de mem\u00f3ria j\u00e1 tem sido produzido, usando-se transistores e capacitores. Stanley Williams, no entanto, replica: \u201cIsso, no entanto, exige uma montanha de transistores e capacitores para executar a tarefa de um \u00fanico memristor.\u201d<br>Para o professor Jo\u00e3o Antonio Zuffo, do Laborat\u00f3rio de Sistemas Integr\u00e1veis (LSI) da Universidade de S\u00e3o Paulo (USP) \u201c\u00e9 prov\u00e1vel que o memristor venha a ter numerosas aplica\u00e7\u00f5es interessantes, mas n\u00e3o se trata de um avan\u00e7o revolucion\u00e1rio ou um breakthrough, como tem sido anunciado\u201d. Al\u00e9m disso, observa o prof. Zuffo, as mem\u00f3rias do tipo flash j\u00e1 fazem muita coisa que se espera do memristor.<br><br>SMALLER, FASTER, CHEAPER<br><br>A microeletr\u00f4nica nasceu praticamente com o transistor, dispositivo revolucion\u00e1rio inventado em 1947, por tr\u00eas cientistas dos Laborat\u00f3rios Bell (William Shockley, John Bardeen e Walter Brattain), para substituir as velhas v\u00e1lvulas a v\u00e1cuo. Por sua inven\u00e7\u00e3o, esses tr\u00eas cientistas ganharam o Pr\u00eamio Nobel de F\u00edsica de 1956.<br><br>O primeiro transistor j\u00e1 era 200 vezes menor do que uma v\u00e1lvula comum. Al\u00e9m disso, consumia muito menos energia, durava muito mais e era muito mais confi\u00e1vel do que as v\u00e1lvulas. Ao longo dos \u00faltimos 60 anos, o transistor vem evoluindo, tornando-se cada vez menor, mais r\u00e1pido e mais barato, caracter\u00edsticas sintetizadas em tr\u00eas palavras inglesas, que definem a pr\u00f3pria microeletr\u00f4nica: smaller, faster and cheaper.<br><br>Em 1958, surgia o primeiro circuito integrado, componente que reunia diodos, resistores, capacitores, transistores e indutores sobre uma pastilha de sil\u00edcio. Em quatro d\u00e9cadas, o processo de miniaturiza\u00e7\u00e3o dos componentes eletr\u00f4nicos tem evolu\u00eddo de tal forma que j\u00e1 permite reunir mais de um bilh\u00e3o de transistores num \u00fanico circuito integrado ou chip.<br><br>O mais extraordin\u00e1rio \u00e9 que, ao longo dos \u00faltimos 50 anos, a microeletr\u00f4nica se transformou na mais poderosa alavanca de transforma\u00e7\u00e3o do mundo moderno. E a miniaturiza\u00e7\u00e3o n\u00e3o parece ter fim.<br>Gordon Moore, um dos fundadores da Intel, previu em 1964 que os circuitos integrados dobrariam o n\u00famero de componentes a cada 18 ou 24 meses. Sua previs\u00e3o foi, na verdade, uma percep\u00e7\u00e3o intuitiva t\u00e3o certeira que passou a ser conhecida por Lei de Moore, pois os circuitos integrados, dos anos 1960 at\u00e9 hoje, t\u00eam dobrado, religiosamente, a cada 18 ou 24 meses, o n\u00famero de componentes.<br><br>Seria muito dif\u00edcil imaginar o mundo atual sem a microeletr\u00f4nica.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Fonte:&nbsp;<\/strong>Jornal Estado de S\u00e3o Paulo<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>11\/05\/2008 Por&nbsp;ETHEVALDO SIQUEIRA At\u00e9 a semana passada, s\u00f3 eram conhecidos tr\u00eas elementos fundamentais para produ\u00e7\u00e3o de circuitos integrados: os capacitores, os resistores e os indutores. 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