{"id":257,"date":"2008-07-14T11:37:40","date_gmt":"2008-07-14T14:37:40","guid":{"rendered":"http:\/\/site.b2ml.com.br\/abee\/?p=257"},"modified":"2019-09-02T11:38:19","modified_gmt":"2019-09-02T14:38:19","slug":"falta-energia-ou-falta-visao","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/abee-mg.com.br\/abee\/?p=257","title":{"rendered":"Falta energia ou falta vis\u00e3o?"},"content":{"rendered":"\n<h2 class=\"wp-block-heading\">14\/07\/2008<\/h2>\n\n\n\n<p>Por<strong>&nbsp;Washington Novaes<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>O tema das barragens e usinas hidrel\u00e9tricas volta a ocupar espa\u00e7o abundante no notici\u00e1rio, por muitas raz\u00f5es:<br>1) Por ser essa uma fonte renov\u00e1vel e menos poluente de energia, num momento de crise, e que abre a possibilidade de reduzir, com seu uso, as emiss\u00f5es de gases que intensificam o efeito estufa e acentuam mudan\u00e7as clim\u00e1ticas;<br>2) pelo \u00e2ngulo oposto, por estar o Brasil levando adiante v\u00e1rios projetos nessa \u00e1rea, quando alguns estudos mostram a possibilidade de, com conserva\u00e7\u00e3o e efici\u00eancia energ\u00e9tica, at\u00e9 reduzir consideravelmente nosso consumo de energia, al\u00e9m de poder recorrer muito mais do que o faz a outras fontes menos problem\u00e1ticas (e\u00f3lica, solar, de mar\u00e9s, biocombust\u00edveis, principalmente);<br>3) porque a constru\u00e7\u00e3o de hidrel\u00e9tricas sem preocupa\u00e7\u00e3o de implantar eclusas que permitam a navega\u00e7\u00e3o dificulta depois o aproveitamento desse meio de transporte (onde seja vi\u00e1vel e sem custos excessivos);<br>4) porque grande parte da energia gerada se destina \u00e0 produ\u00e7\u00e3o de eletrointensivos (alum\u00ednio e ferro-gusa, principalmente), com altos subs\u00eddios, que imp\u00f5em a toda a sociedade (que paga os subs\u00eddios) pesados sacrif\u00edcios, enquanto beneficiam principalmente consumidores dos pa\u00edses industrializados, grandes importadores desses produtos;<br>5) porque a interrup\u00e7\u00e3o do fluxo de rios e o alto armazenamento de \u00e1guas suscitam outras preocupa\u00e7\u00f5es aos estudiosos da \u00e1rea.<br><br>Pode-se come\u00e7ar pelo fim. O relat\u00f3rio Planeta Vivo 2006 e outros documentos da ONU dizem que a altera\u00e7\u00e3o e reten\u00e7\u00e3o do fluxo hidrol\u00f3gico no mundo para uso industrial, abastecimento dom\u00e9stico, irriga\u00e7\u00e3o e produ\u00e7\u00e3o de energia j\u00e1 fragmentam mais de metade dos maiores sistemas fluviais do mundo e 83% do seu fluxo anual (52% de forma moderada, 31% gravemente). A quantidade de \u00e1gua armazenada em reservat\u00f3rios ou barragens j\u00e1 \u00e9, no m\u00ednimo, tr\u00eas vezes maior que a contida nos rios. S\u00f3 barragens com mais de 15 metros de altura s\u00e3o 45 mil no mundo, segundo a Comiss\u00e3o Mundial de Barragens. S\u00e3o muitas as conseq\u00fc\u00eancias: inunda\u00e7\u00e3o de \u00e1reas importantes, perda de biodiversidade, desalojamento de popula\u00e7\u00f5es, aumento da evapora\u00e7\u00e3o, acumula\u00e7\u00e3o de sedimentos (e gera\u00e7\u00e3o de gases), entre outras.<br><br>Muitos pa\u00edses dizem n\u00e3o ter alternativas imediatas, como a China, diante do aumento da demanda por energia. Mas certamente n\u00e3o \u00e9 o caso brasileiro. J\u00e1 foram mais de uma vez citados neste espa\u00e7o estudos da Unicamp e da Coppe (UFRJ) que mostram ser poss\u00edvel, a custos muito menores que no aumento da produ\u00e7\u00e3o, reduzir em at\u00e9 30% o consumo atual de energia, com programas de conserva\u00e7\u00e3o e efici\u00eancia; e ganhar mais 20% com repotencia\u00e7\u00e3o de usinas antigas e redu\u00e7\u00e3o de perdas nas linhas de transmiss\u00e3o (hoje em 15%). Mas ningu\u00e9m ouve a \u00e1rea federal de energia discutir esse tema com a sociedade. Ao contr\u00e1rio, os respons\u00e1veis pelo setor s\u00f3 se preocupam em anunciar novas, caras e question\u00e1veis unidades geradoras, na Amaz\u00f4nia, na pol\u00eamica \u00e1rea nuclear e em outros lugares problem\u00e1ticos &#8211; Estreito (TO), Vale do Ribeira (SP) e Salto (SC), entre outros.<br><br>E tudo isso acontece em meio a graves discuss\u00f5es. Ora porque se muda o local de implanta\u00e7\u00e3o de uma usina no Madeira e n\u00e3o se considera necess\u00e1rio novo estudo de impacto, ora porque j\u00e1 se anuncia para o ano que vem outra usina, no Rio Xingu, palco de conflitos s\u00e9rios. Num momento, porque se condena o \u201cesquecimento\u201d de prever eclusas nas hidrel\u00e9tricas do Rio Madeira &#8211; o que pode interromper a navega\u00e7\u00e3o; em outro, porque se condena \u00e0 inunda\u00e7\u00e3o um patrim\u00f4nio paisag\u00edstico e cultural da humanidade, reconhecido pela Unesco, como \u00e9 o caso de uma usina no Vale do Ribeira, onde podem sobrevir tamb\u00e9m problemas para remanescentes da mata atl\u00e2ntica, mangues, cavernas, restingas, quilombos, \u00edndios, cai\u00e7aras.<br><br>Estranho que pare\u00e7a, n\u00e3o se discute um fen\u00f4meno cada vez mais freq\u00fcente, que \u00e9 o rompimento de barragens. S\u00f3 este ano isso j\u00e1 ocorreu no Rio Corrente (GO), em S\u00e3o Gon\u00e7alo (PB), inundando a cidade de S\u00e3o Vicente do Serid\u00f3; dois anos antes foi em Camar\u00e1, onde o rompimento deixou 4 mil pessoas ao desabrigo. \u00c9 evidente que se imp\u00f5e uma revis\u00e3o de m\u00e9todos, inclusive por causa de altera\u00e7\u00f5es nos formatos de chuvas, com precipita\u00e7\u00f5es mais intensas em curto espa\u00e7o de tempo.<br><br>\u00c9 um problema que remete a recente estudo do Banco Mundial (28\/3), em que est\u00e1 enfatizada a \u201cbaixa qualidade dos termos de refer\u00eancia e estudos de impacto ambiental\u201d de projetos na \u00e1rea hidrel\u00e9trica. Por isso mesmo, e porque acha \u201crazo\u00e1veis\u201d os prazos concedidos pelo Ibama nos licenciamentos, n\u00e3o sugere o banco mudan\u00e7as radicais nos processos e naqueles prazos &#8211; bem ao contr\u00e1rio do que pregam o ministro do Meio Ambiente e o presidente do Ibama.<br><br>Talvez fosse adequado olhar o que acontece em outras partes &#8211; como nos EUA, que j\u00e1 removeram 467 barragens, principalmente na Calif\u00f3rnia (48) e no Wisconsin (47); ou na Alemanha e na Hungria, onde est\u00e3o em pleno andamento os planos de \u201crenaturaliza\u00e7\u00e3o\u201d dos rios, com a remo\u00e7\u00e3o de barragens, canaliza\u00e7\u00f5es, etc., para que sejam restauradas as antigas plan\u00edcies de inunda\u00e7\u00e3o natural, removidas popula\u00e7\u00f5es ribeirinhas e se evitem conseq\u00fc\u00eancias desastrosas de enchentes. Ou ainda para v\u00e1rias partes da Europa, da Austr\u00e1lia, da Nova Zel\u00e2ndia, da Espanha, de Portugal, onde se investe pesadamente em energia e\u00f3lica e solar &#8211; ao contr\u00e1rio do que fazemos aqui, onde o minguado programa de energias alternativas (Proinfa) se arrasta h\u00e1 anos, da mesma forma que os programas de efici\u00eancia energ\u00e9tica (Procel).<br><br>\u00c9 preciso repetir e repetir: entre 1973 e 1988, ap\u00f3s o segundo choque do petr\u00f3leo, durante 15 anos n\u00e3o aumentou em um s\u00f3 kilowatt o consumo de energia nos EUA, gra\u00e7as a programas de efici\u00eancia &#8211; e sem prejudicar o crescimento do PIB, que foi de quase 40% nesse per\u00edodo.<br><br>Efici\u00eancia n\u00e3o impede desenvolvimento. Ao contr\u00e1rio, ajuda, liberando recursos.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Fonte:&nbsp;<\/strong>Jornal Estado de S\u00e3o Paulo &#8211; 11\/07\/2008<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>14\/07\/2008 Por&nbsp;Washington Novaes O tema das barragens e usinas hidrel\u00e9tricas volta a ocupar espa\u00e7o abundante no notici\u00e1rio, por muitas raz\u00f5es:1) Por ser essa uma fonte renov\u00e1vel<span class=\"excerpt-hellip\"> [\u2026]<\/span><\/p>\n","protected":false},"author":5,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[8],"tags":[],"class_list":["post-257","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-artigos"],"_links":{"self":[{"href":"http:\/\/abee-mg.com.br\/abee\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/257","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"http:\/\/abee-mg.com.br\/abee\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"http:\/\/abee-mg.com.br\/abee\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/abee-mg.com.br\/abee\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/5"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/abee-mg.com.br\/abee\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=257"}],"version-history":[{"count":1,"href":"http:\/\/abee-mg.com.br\/abee\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/257\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":258,"href":"http:\/\/abee-mg.com.br\/abee\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/257\/revisions\/258"}],"wp:attachment":[{"href":"http:\/\/abee-mg.com.br\/abee\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=257"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"http:\/\/abee-mg.com.br\/abee\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=257"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"http:\/\/abee-mg.com.br\/abee\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=257"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}