{"id":439,"date":"2009-11-27T18:05:06","date_gmt":"2009-11-27T20:05:06","guid":{"rendered":"http:\/\/site.b2ml.com.br\/abee\/?p=439"},"modified":"2019-09-05T18:05:41","modified_gmt":"2019-09-05T21:05:41","slug":"energia-para-areas-remotas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/abee-mg.com.br\/abee\/?p=439","title":{"rendered":"Energia para \u00e1reas remotas"},"content":{"rendered":"\n<h2 class=\"wp-block-heading\">27\/11\/2009<\/h2>\n\n\n\n<p>J\u00e1 est\u00e1 em fase de produ\u00e7\u00e3o industrial um equipamento desenvolvido na Universidade Federal de Itajub\u00e1 (Unifei), no Sul de Minas, que vai aproveitar a correnteza de pequenos rios para gerar energia. O hidrof\u00f3lio, como foi batizado pelo seu criador, Geraldo L\u00facio Tiago Filho, professor titular da universidade e secret\u00e1rio-executivo do Centro Nacional de Refer\u00eancia em Pequenas Centrais Hidrel\u00e9tricas (Cerpch), trabalha em rios rasos e lentos, com velocidade de \u00e1gua menor que um metro por segundo. Pode ser aplicado em corredeiras, canais de fuga de centrais el\u00e9tricas e pequenos cursos d\u2019\u00e1gua. A quantidade de energia a ser produzida \u2013 at\u00e9 15 quilowatts (kw) por unidade, conforme o comprimento do aparelho e a correnteza \u2013 pode atender \u00e0 demanda de 15 fam\u00edlias.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cO hidrof\u00f3lio \u00e9 in\u00e9dito e foi criado para atender comunidades ribeirinhas isoladas que n\u00e3o t\u00eam acesso \u00e0 energia\u201d, explica Tiago Filho. O mapa da exclus\u00e3o el\u00e9trica no pa\u00eds mostra que as pessoas sem acesso ao insumo vivem, em sua maior parte, em localidades onde o \u00cdndice de Desenvolvimento Humano (IDH) \u00e9 baixo. Cerca de 90% das fam\u00edlias sem acesso \u00e0 energia t\u00eam renda inferior a tr\u00eas sal\u00e1rios m\u00ednimos e 80% est\u00e3o no meio rural. Entre 2004 e 2008, o programa Luz para Todos, do governo federal, tirou da exclus\u00e3o el\u00e9trica 1,8 milh\u00e3o de fam\u00edlias. Para o bi\u00eanio 2009\/2010 prev\u00ea atender 1,1 milh\u00e3o de novos domic\u00edlios.<\/p>\n\n\n\n<p>Fora dessa meta, por\u00e9m, restaram ao menos 168 mil fam\u00edlias sem luz. Elas est\u00e3o espalhadas em estados como Amazonas, Bahia e Minas Gerais e somente poder\u00e3o ser atendidas a partir de 2011. A sobra, segundo as distribuidoras de energia e os comit\u00eas gestores do programa, se divide em 37 mil fam\u00edlias em Minas Gerais, 41 mil no Amazonas e 90 mil na Bahia. Esse d\u00e9ficit n\u00e3o inclui os novos domic\u00edlios erguidos em \u00e1reas j\u00e1 atendidas com sistema de energia el\u00e9trica, dentro do chamado crescimento vegetativo, que ficaram de fora do programa por conta do alto custo das liga\u00e7\u00f5es, da insufici\u00eancia de material e de m\u00e3o de obra na regi\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Nascido da necessidade de gerar energia a partir de correntezas de baixa intensidade nos rios, o perfil funciona como uma asa de avi\u00e3o, s\u00f3 que submerso na \u00e1gua. O correspondente do equipamento num avi\u00e3o \u00e9 o aerof\u00f3lio. \u00c9 ele que permite a sustenta\u00e7\u00e3o do avi\u00e3o no ar. Dentro da \u00e1gua, um aparelho desse tipo passa a se chamar hidrof\u00f3lio. O funcionamento \u00e9 simples. A \u00e1gua passa pelo equipamento e ele \u00e9 empurrado para cima. Quando isso acontece, um dispositivo armado faz a asa girar, perdendo a sustenta\u00e7\u00e3o, e ela volta a cair. \u201cIsso provoca um movimento oscilat\u00f3rio de cima para baixo\u201d, explica o professor.<\/p>\n\n\n\n<p>Segundo ele, esse movimento \u00e9 transferido para uma haste articulada, que funciona como um bra\u00e7o do hidrof\u00f3lio. Isso aciona um gerador instalado dentro do perfil e transforma a correnteza do rio em energia el\u00e9trica. A largura do equipamento depende do porte do rio ou do percurso da \u00e1gua e a energia produzida \u00e9 usada para carregar baterias que podem suprir a necessidade de pequenas comunidades ribeirinhas. \u201cO Sistema Interligado Nacional gera energia e a conecta \u00e0 rede de transmiss\u00e3o. Quando o sistema \u00e9 isolado, \u00e9 necess\u00e1rio garantir uma energia da qual n\u00e3o se disp\u00f5e\u201d, observa o professor. A solu\u00e7\u00e3o permitida pelo hidrof\u00f3lio \u00e9 gerar energia a partir de pequenos cursos de \u00e1gua, armazenando-a numa esp\u00e9cie de banco de bateria. \u201cQuando a demanda est\u00e1 alta, a comunidade usa a bateria. Quando est\u00e1 baixa, o sistema recarrega a bateria\u201d, ensina.<\/p>\n\n\n\n<p>O professor conta que os testes de funcionamento do perfil duraram um ano. Agora, o aparelho est\u00e1 sendo desenvolvido comercialmente, dentro de um programa da pr\u00f3pria Unifei. \u201cConseguimos financiamento para melhorar a qualidade do produto, que hoje j\u00e1 tem concep\u00e7\u00e3o industrial.\u201d Em 2010, uma empresa incubada na universidade come\u00e7ar\u00e1 a fabricar o hidrof\u00f3lio. A expectativa \u00e9 que um equipamento de 1kW seja vendido no mercado por cerca de R$ 14 mil. Os clientes potenciais s\u00e3o as concession\u00e1rias de energia, que, segundo a legisla\u00e7\u00e3o em vigor, t\u00eam a obriga\u00e7\u00e3o de fornecer o insumo para as comunidades rurais. A expectativa, segundo ele, \u00e9 atender aos programas de energia alternativa das pr\u00f3prias concession\u00e1rias. \u201cEm compara\u00e7\u00e3o com os gastos para levar uma linha de transmiss\u00e3o a esses rinc\u00f5es, o hidrof\u00f3lio sai muito mais barato\u201d, garante Tiago Filho.<\/p>\n\n\n\n<p>Zulmira Furbino<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Fonte:&nbsp;<\/strong>Jornal Estado de Minas &#8211; 27\/11\/09 &#8211; 1o. Caderno &#8211; p\u00e1g. 22<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>27\/11\/2009 J\u00e1 est\u00e1 em fase de produ\u00e7\u00e3o industrial um equipamento desenvolvido na Universidade Federal de Itajub\u00e1 (Unifei), no Sul de Minas, que vai aproveitar a correnteza<span class=\"excerpt-hellip\"> [\u2026]<\/span><\/p>\n","protected":false},"author":5,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[12],"tags":[],"class_list":["post-439","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-noticias-conteudo"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/abee-mg.com.br\/abee\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/439","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/abee-mg.com.br\/abee\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/abee-mg.com.br\/abee\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/abee-mg.com.br\/abee\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/5"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/abee-mg.com.br\/abee\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=439"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/abee-mg.com.br\/abee\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/439\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":440,"href":"https:\/\/abee-mg.com.br\/abee\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/439\/revisions\/440"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/abee-mg.com.br\/abee\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=439"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/abee-mg.com.br\/abee\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=439"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/abee-mg.com.br\/abee\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=439"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}